O município de Ilhabela, no litoral norte, foi escolhido para abrigar a primeira usina pública de dessalinização de água do mar em São Paulo. As obras fazem parte do aumento nos investimentos em saneamento básico após a desestatização da Sabesp pelo Governo de São Paulo, que permitiram ampliação de 120% nos recursos.
Com total previsto de R$ 56,4 milhões, a usina terá capacidade de produzir 20 litros de água potável por segundo, aumentando em 20% a capacidade de abastecimento local, que enfrenta sérios problemas com a alta do consumo na temporada de verão e dificuldade de captação de água doce em mananciais, já que o município é formado por um conjunto de 14 ilhas e ilhotas.
Como funciona
A tecnologia para transformar a água salgada ou salobra (com menor quantidade de sal) em potável usa o sistema de ‘osmose reversa’, utilizado em larga escala em países como Israel e Arábia Saudita para atender suas respectivas demandas hídricas. A Sabesp já utiliza essa tecnologia em algumas estações de tratamento da Grande São Paulo, mas essa será a primeira vez que será utilizada para filtrar água do mar.
Diferentemente do sistema convencional, onde a purificação passa por vários processos, como coagulação, tanques de decantação e filtragem para retirar impurezas, o sistema de ultrafiltração por osmose reversa pressiona a água salobra contra uma fina membrana de porosidade milimétrica capaz de reter o sais dissolvidos e qualquer outra partícula de sujeira presente. Após a eliminação das impurezas, a água passa por tratamento químico, com cloro e flúor, para torná-la potável e segura para o consumo.
Não existe diferença de qualidade de água tratada no processo convencional e por ultrafiltragem. Os dois processos passam por rígido controle de dosagem de produto químico e do padrão de qualidade, e atendem em 100% o padrão de potabilidade exigido pelo Ministério da Saúde, segundo a Sabesp.