Aranhas, escorpiões e serpentes são os que mais levam as pessoas a procurar atendimento médico quando se trata de acidentes envolvendo animais peçonhentos. Saber identificar cada espécie e como lidar com cada animal é essencial para evitar envenenamentos. A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo orienta que a população procure atendimento médico imediato em caso de picadas, mesmo nos casos em que o animal não tenha sido visto pela vítima.
O estado conta com 242 Pontos Estratégicos de Soro Antiveneno (PESAs), preparados para atender casos com rapidez e realizar o tratamento adequado, incluindo a aplicação do soro antiescorpiônico quando necessário. A lista das unidades está disponível em: cievs.saude.sp.gov.br/soro
Veja abaixo orientações sobre cada animal peçonhento:
Aranhas
Entre as milhares de espécies de aranhas que existem no Brasil, somente três gêneros são considerados de importância médica, ou seja, que podem provocar envenenamento grave em pessoas: a viúva-negra (Latrodectus), a armadeira (Phoneutria) e a aranha-marrom (Loxosceles). Enquanto a primeira causa acidentes muito raramente e não requer uso de soro, a armadeira e aranha-marrom somam mais de 10 mil acidentes por ano.
Em caso de suspeita ou confirmação de picada por aranha, não hesite em procurar um serviço de saúde para confirmação. De preferência em posse da aranha ou de uma foto nítida dela.
Todas as aranhas possuem veneno, mas a maioria não tem impacto significativo na saúde humana. Picadas de aranhas sem importância médica podem gerar desconforto, como dor, inchaço e vermelhidão; no entanto, são sintomas passageiros e que normalmente se resolvem com medicações para dor e alergia. Quando a lesão persiste, piora e não responde a tratamentos convencionais, deve-se procurar atendimento médico o quanto antes.
Quais aranhas são de importância médica?
Aranha armadeira da espécie Phoneutria nigriventer. Foto: Rafael P. Indicatti/Comunicação Butantan
As nove espécies de aranhas do gênero Phoneutria, conhecidas como aranha-armadeira ou aranha-das-bananas, ocorrem em países da América do Sul e Central. Elas são encontradas em plantações de bananas e, em áreas urbanas, geralmente dentro de roupeiros e armários de residências. O seu tamanho varia entre 1,7 a 4,8 cm de corpo e até 15 cm de pernas. Consideradas extremamente agressivas, elas atacam ao se sentir ameaçadas.
São conhecidas como armadeiras por “se armarem” quando se sentem atacadas. Ou seja, esticam as pernas anteriores para cima e sentam sobre o abdômen e, se preciso, pulam em direção a quem estiver as ameaçando.
Loxosceles gaucho, espécie de aranha-marrom comum no Brasil. Foto: Paulo Goldoni/Comunicação Butantan
A Loxosceles é uma aranha pequena, de até 4 cm, e só pica quando é comprimida. Costuma ficar escondida em móveis, roupas, sapatos e lençóis.
A picada da aranha-marrom, inicialmente, pode ser confundida com uma picada comum de inseto, porque os sintomas levam horas para progredir. O paciente pode sentir dor, que aumenta com o passar do tempo, e apresentar uma lesão de coloração pálida, arroxeada e com vermelhidão ao redor. Alguns casos evoluem para necrose, e quadros graves podem levar à síndrome hemolítica (quebra dos glóbulos vermelhos), causando palidez, pele amarelada e urina escura.